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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Pré-conceitos e preconceitos

Os juízos formulados à priori, ou pré-conceitos, geram preconceitos, por vezes, de uma força inacreditável. Intrinsecamente, o pré-conceito e o preconceito fazem parte de cada um de nós, mesmo que apareçam de tal forma camuflados que nós não nos apercebemos, conscientemente, destes. Recordo-me dos tempos em que estava grávida e, na verdade, aconteceram duas situações, algo caricatas, que relatam e ilustram a minha anterior afirmação.
Estando grávida, foram muitas as vezes que tive de me dirigir à Segurança Social. No início, não fazia valer os meus direitos e, como tal, esperava, na fila, pacientemente, pela minha vez. Aos cinco meses (e com uma anemia que me debilitava) não conseguia ficar muito tempo de pé, pelo que decidi ir para a fila prioritária. Ao verificarem que a minha senha havia ultrapassado a de outras que já lá se encontravam, três pessoas perguntaram-me por que é que eu "estava a passar à frente". Como não tinha uma barriga proeminente, as pessoas não se aperceberam que estava grávida e estavam já, todas exaltadas, a contestar o facto de lhes estar "a passar à frente". A minha elegância agradeceu, obviamente, mas eu, pessoalmente, não gostei de ser o motivo de tamanha "zaragata"!
Uma outra situação ocorreu aquando uma ida ao shopping. Estacionei o carro no lugar reservado para pessoas com mobilidade limitada e/ou condicionada. De repente, começaram a apitar variadas vezes. Num ímpeto, saiu de lá uma mulher a correr em direção ao meu carro e a chamar o segurança. Aos gritos, perguntou-me por que motivo estava eu a estacionar naquele lugar. Não lhe respondi. A minha mãe respondeu-lhe que eu estava grávida. Depois, solicitou o boletim de grávida. Nesse momento, o meu pai, sem a ouvir, colocou o boletim no para-brisas. Da mesma forma que saiu do carro, também a mulher, com laivos de histerismo, entrou. Se dependesse de mim, aquela pessoa não teria obtido qualquer resposta, dado que não é perante ela que devia comprovar a minha condição... Destas situações saliento o stress das pessoas, que, julgando sem tentar perceber minimamente as situações, se exaltam e chegam a ser, inclusivamente, insultuosas. O pior é que, muitas das vezes, são essas mesmas pessoas que apontam o dedo que também passam à frente ou estacionam nos locais reservados para pessoas de mobilidade limitada.
 A propósito, ao falar da Segurança Social de Ponte de Lima, lembrei-me de algo que limita a acessibilidade: as senhas são colocadas a uma altura que nenhum pessoa, em cadeiras de rodas ou anã, consegue chegar. Já agora, uma sugestão: o ecrã no qual se pode ver o número da fila deveria ser sonoro, de forma a que um invisual pudesse saber em que lugar estava na fila, sem ter de perguntar às outras pessoas...


Nota: alguém deve ter lido o meu blogue - lol - porque estas situações foram já corrigidas

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