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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Entrevista à Nélia

Em seguida, pode ler-se uma entrevista a uma jovem limiana, a Nélia, que se desloca em cadeira de rodas. Desde já, quero deixar os meus agradecimentos à Nélia que, tão prontamente, aceitou responder às questões colocadas, recebendo-me com uma enorme simpatia e disponibilidade.


1- Consideras Ponte de Lima uma vila acessível?
Nélia: Sim, de uma forma geral, pode dizer-se que sim.
2- Quais os principais obstáculos que enfrentas, no teu dia-a-dia, a nível de acessibilidades?
Nélia: Um dos principais obstáculos é quando, apesar de haver uma rampa, há carros estacionados, impossibiltando a minha passagem, o que faz com que tenha que ir à volta ou pela estrada, o que é bastante perigoso. Outro obstáculo de referir é quando há candeeiros no meio do passeio (principalmente à beira da escola do 1º Ciclo). A Biblioteca Municipal também não está acessível. Tenho que chamar uma funcionária para me ajudar, entro pela lateral e a casa de banho não possui barras de apoio. Relativamente às Caixa Multibanco, apenas a da Millenium estava acessível, mas foi retirada. As caixas são muito altas e eu só consigo tirar dinheiro porque me consigo levantar. A Caixa Geral de Depósitos do Largo de Camões está inacessível. Felizmente temos a Caixa cá de cima que está acessível.
3- Consideras que te podes movimentar, com segurança, em Ponte de Lima?
Nélia: Creio que sim.
4- Foi fácil arranjares casa?
Nélia: Ainda estou à procura de casa para comprar, mas as que são, mais ou menos, acessíveis, são também muito caras. Moro num apartamento arrendado (monetariamente compensava-me comprar um apartamento com empréstimo em vez de pagar uma renda mensal), mas não encontro casa acessível. Mesmo no apartamento onde estou, tive que ser eu, e não o condomínio, a colocar uma rampa...

Pré-conceitos e preconceitos

Os juízos formulados à priori, ou pré-conceitos, geram preconceitos, por vezes, de uma força inacreditável. Intrinsecamente, o pré-conceito e o preconceito fazem parte de cada um de nós, mesmo que apareçam de tal forma camuflados que nós não nos apercebemos, conscientemente, destes. Recordo-me dos tempos em que estava grávida e, na verdade, aconteceram duas situações, algo caricatas, que relatam e ilustram a minha anterior afirmação.
Estando grávida, foram muitas as vezes que tive de me dirigir à Segurança Social. No início, não fazia valer os meus direitos e, como tal, esperava, na fila, pacientemente, pela minha vez. Aos cinco meses (e com uma anemia que me debilitava) não conseguia ficar muito tempo de pé, pelo que decidi ir para a fila prioritária. Ao verificarem que a minha senha havia ultrapassado a de outras que já lá se encontravam, três pessoas perguntaram-me por que é que eu "estava a passar à frente". Como não tinha uma barriga proeminente, as pessoas não se aperceberam que estava grávida e estavam já, todas exaltadas, a contestar o facto de lhes estar "a passar à frente". A minha elegância agradeceu, obviamente, mas eu, pessoalmente, não gostei de ser o motivo de tamanha "zaragata"!
Uma outra situação ocorreu aquando uma ida ao shopping. Estacionei o carro no lugar reservado para pessoas com mobilidade limitada e/ou condicionada. De repente, começaram a apitar variadas vezes. Num ímpeto, saiu de lá uma mulher a correr em direção ao meu carro e a chamar o segurança. Aos gritos, perguntou-me por que motivo estava eu a estacionar naquele lugar. Não lhe respondi. A minha mãe respondeu-lhe que eu estava grávida. Depois, solicitou o boletim de grávida. Nesse momento, o meu pai, sem a ouvir, colocou o boletim no para-brisas. Da mesma forma que saiu do carro, também a mulher, com laivos de histerismo, entrou. Se dependesse de mim, aquela pessoa não teria obtido qualquer resposta, dado que não é perante ela que devia comprovar a minha condição... Destas situações saliento o stress das pessoas, que, julgando sem tentar perceber minimamente as situações, se exaltam e chegam a ser, inclusivamente, insultuosas. O pior é que, muitas das vezes, são essas mesmas pessoas que apontam o dedo que também passam à frente ou estacionam nos locais reservados para pessoas de mobilidade limitada.
 A propósito, ao falar da Segurança Social de Ponte de Lima, lembrei-me de algo que limita a acessibilidade: as senhas são colocadas a uma altura que nenhum pessoa, em cadeiras de rodas ou anã, consegue chegar. Já agora, uma sugestão: o ecrã no qual se pode ver o número da fila deveria ser sonoro, de forma a que um invisual pudesse saber em que lugar estava na fila, sem ter de perguntar às outras pessoas...


Nota: alguém deve ter lido o meu blogue - lol - porque estas situações foram já corrigidas

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Prédios habitacionais



Como comecei a explanar alguns bons e maus exemplos a nível de acessibilidades, dando o exemplo do meu prédio, irei terminar esta "foto-reflexão" com outros exemplos de prédios habitacionais.
O primeiro, no qual habita a minha irmã, não possui degraus na entrada, mas antes rampas. O prédio possui, também elevador, pese embora não satisfaça o critério de rotação de 360º. Ao visitar a minha irmã, constatei que transportar o meu filho e o seu carrinho é bastante fácil. A segunda fotografia ilustra mais um mau exemplo de acessibilidade a edifícios habitacionais.

Escolas





Chegamos, finalmente, às escolas. No que diz respeito a estabelecimentos públicos mais antigos, muito há a dizer, todavia (quase) toda a gente conhece esta realidade. Escadas, mais escadas, degraus e mais degraus. Defende-se a escola inclusiva, todavia promove-se a exclusão ao não se eliminar obstáculos à acessibilidade.

Degraus








A farmácia Mesericórdia possui uma rampa em madeira. Desta forma, ao não se usarem materiais muito contemporâneos nas rampas, não há um choque entre o passado e o presente. Pelo que ouvi dizer a farmácia Cerqueira está, há muito, a reunir esforços para colocar uma rampa na entrada, todavia esta não é autorizada pela Câmara Municipal, alegadamente por não perservar a zona histórica. É óbvio que este rumor não está confirmado, pelo que não posso afirmar a veracidade de tal afirmação.
O espaço Internet é, também, um edifício histórico, em nada acessível. Não tenho conhecimento se este edifício tem entrada lateral rampeada, contudo creio que tal não é relevante. Como já disse, creio que a entrada principal deve ser acessível a todos. O mesmo acontece com a Biblioteca Municipal que possui apenas uma entrada lateral com rampa. O ediício está repleto de escadas e portas de difícil abertura. A biblioteca possui elevador sem porta automática e os WC não possuem barras de apoio. Há muito ainda por fazer para que todos possamos ler um bom livro!
Na quarta fotografia podemos observar mais um mau exemplo a nível de acessibilidades, uma vez que a paragem de autocarros da Avenida António Feijó possui dois degraus. Como poderemos ter transportes públicos adaptados e acessíveis se nem sequer uma das principais paragens de autocarro da vila está acessível a todos? Por fim, deixo-vos um bom exemplo, no que concerne as acessibilidades: a Academia de Música de Ponte de Lima.





Mais rampas






O novo hotel de Ponte de Lima possui uma entrada com rampa, bem como, naturalmente, o Teatro Diogo Bernardes.

Passeios






Nas duas primeiras fotografias podemos ver passeios rebaixados junto a passadeiras e na última temos mais um exemplo da forma como um candeeiro no meio do passeio pode condicionar a mobilidade das pessoas.

Câmara Municipal






O acesso ao edifício da Câmara Municipal é feito através de uma rampa com demasiada inclinação, possuindo apenas uma zona de descanso horizontal. Já o acesso às casas de banho públicas está bem feito.
Na terceira fotografia podemos ver uma estátua de António Feijó. Neste pequeno monumento de homenagem ao poeta limiano podemos ler o poema que elogia a nossa vila e do qual deixo os seguintes versos:
"Nasci à beira do Rio Lima,
Rio saudoso, todo cristal;
Daí a angústia que me vitima,
Daí deriva todo o meu mal.
É que nas terras que tenho visto,
Por todo o lado por onde andei,
Nunca achei nada mais imprevisto,
Terra mais linda nunca encontrei".
Para além da justa homenagem a António Feijó, creio que este exemplo ilustra a ideia medieval de que quantas mais escadas tivessem as Igrejas e monumentos, mais imponente era. Pena é que alguém de mobilidade condicionada tenha muita dificuldade ou, até mesmo, não consiga aceder a este monumento.

Civismo



Este é um exemplo típico de falta de civismo: carros estacionados no passeio. Se as pessoas deixassem de ser egocêntricas e pensassem que os outros também existem, esta situação não sucederia. Podemos eliminar todas as barreiras arquitetónicas, mas não mudar, totalmente, mentalidades. Esta mudança constitui um processo gradual, que passa, claramente, pela sensibilização das pessoas para a realidade das outras.

correios










Atualmente, os CTT já possuem uma rampa (primeira fotografia). Já não era sem tempo! Afinal, muitos idosos iam aos Correios, sobretudo para levantar a reforma, e tinham sempre que subir um degrau demasiado alto. As senhas da fila também se encontram a uma altura acessível. Perto dos correios, ainda no centro histórico, há uma rampa em pedra em alternativa às escadas (terceira fotografia).
 Na segunda e na última fotografias, podemos observar que as entradas para as lojas (cafés e outros estabelecimentos) possuem um degrau elevado. Como é uma zona histórica tal pode (mas não devia) acontecer.

Centro histórico














O centro histórico sofreu, nos últimos tempos, várias alterações: o pavimento foi, a meu ver, bem colocado ao nível da estrada, eliminando barreiras de acessibilidade e o seu piso tem uma textura contrastante com a estrada, para além de que os passeios são bastante largos (terceira e última fotografias); foi colocado um passeio acessível no areal; no entanto, em pleno Largo de Camões surge uma Caixa Geral de Depósitos totalmente inacessível. O acesso à C.G.D é feito através de dois degraus (primeira fotografia) e a caixa multibanco possui mais dois desagradáveis degraus... Para além disso, no Largo de Camões há algo que nada mais é do que uma relíquia, já que não é nem pode ser utilizada por ninguém: uma cabine telefónica onde só cabe uma pessoa e sem uns quilinhos a mais...

Maus exemplos




A primeira fotografia não vivifica o repto de que todos nós devemos reciclar, pois estes contentores encontram-se inacessíveis a alguém de cadeira de rodas, por exemplo. Também a segunda fotografia é um mau exemplo, a nível de acessibilidades. O marco do correio não está acesível e o candeiro dificulta ou, até mesmo, impossiblita a passagem de uma cadeira de rodas ou um carrinho de bebé. Solução: andar pela estrada. Parace-vos uma boa solução? O passeio é para os peões e a estrada para os veículos, não?!

Arca




Ao ir para a casa dos meus pais, em Arca, decidi tirar fotografias a algo que me chamou sempre a atenção: o passeio pedonal. Este não possui qualquer amparo, o que em termos de segurança é bastante grave, até para pessoas que não têm qualquer prolema de mobilidade. Acresce dizer-se que este passeio serve algumas dezenas de jovens, que diariamente vão a pé para a Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Ponte de Lima. Alguns deles, fazendo sobressair uma enorme falta de civismo, vão em grupos de 3,4,5, andando pela estrada, o que poderá provocar um grave acidente. Antes de aprender a ler ou a escrever, os jovens devem ser formados e educados e esta atitude relatada demonstra uma total falta de educação.
Há pouco tempo foi construído um passeio do lado direito da estrada, em frente à Sede da Junta de Freguesia de Arca para estes jovens poderem circular em segurança, o que, para eles, de nada vale, pois continuam a andar lado-a-lado e em grupo, todavia, convém referir que este passeio possui uma altura bastante elevada para alguém de mobilidade limitada (um passeio deve ter a altura máxima de 8 cm). Por falar em seda da Junta de Arca, esta possui três degraus, que impossibilitam uma pessoa em cadeira de rodas, por exemplo, de entrar pela entrada principal. Dir-me-iam, mas se há uma rampa lateral porquê tanta agitação? Então, e algum de nos gosta de lhe ver negada a entrada principal?!?!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Pereiras









O placard de informação da zona das Pereiras encontra-se a uma altura acessível a todos, pese embora não possa ser lido por invisual. A Igreja das Pereiras possui umas escadarias majestosas, mas nada acessíveis (como é apanágio de todas as Igrejas antigas que pretendem demonstrar imponência através de grandes escadarias).
As rampas de acesso àquela zona (segunda fotografia) também são um exemplo do que não se deve fazer a nível de acessibilidades. A sua inclinação impossibilita a passagem de qualquer pessoa de mobilidade condicionada.

Arquivo e Castelo


























Na última fotografia, observamos uma rampa que nos permite ir do Turismo ao Castelo. Como é uma zona histórica, o acesso aos edifícios é feito através de escadas, o que está protegido pela legislação, que prevê que não se altere monumentos ou edifícios históricos. No entanto, algo poderia ser feito para que pessoas com mobilidade condionada pudessem também aceder a estes edifícios. A zona dos jardins, construída há pouco tempo, possui rampas que permitem a mobilidade, todavia torna-se um contra-senso poder aceder-se à zona de lazer, mas depois ficar-se restrito a esta área e não se poder aceder a outras zonas que, pelas escadarias, se encontram enterditas.
O Arquivo Municipal (primeira fotografia) encontra-se inacessível, pelo menos pela zona frontal.


Turismo










O edifício do Turismo ilustra, a meu ver, uma conceção falhada de acessibilidade. Gostaria de realçar a opinião (meramente pessoal) de que este edifício se encontra totalmente desfasado da arquitetura do centro histórico, sendo um elemento perturbador a nível de harmonia arquitetónica.
 No que concerne à acessibilidade, foi, como referi, uma tentativa gorada, já que as rampas não cumprem, minimamente, o disposto na Secção 2.5 do Anexo do Decreto-Lei nº 163/2006:

"Secção 2.5 - Rampas:
2.5.1 - As rampas devem ter a menor inclinação possível e satisfazer uma das
seguintes situações ou valores interpolados dos indicados:
1) Ter uma inclinação não superior a 6%, vencer um desnível não superior a 0,6 m e ter uma projeção horizontal não superior a 10 m;
2) Ter uma inclinação não superior a 8%, vencer um desnível não superior a 0,4 m e ter uma projeção horizontal não superior a 5 m.
2.5.2 - No caso de edifícios sujeitos a obras de alteração ou conservação, se as limitações de espaço impedirem a utilização de rampas com uma inclinação não superior a 8%, as rampas podem ter inclinações superiores se satisfizerem uma das seguintes situações ou valores interpolados dos indicados:
1) Ter uma inclinação não superior a 10%, vencer um desnível não superior a 0,2 m e ter uma projeção horizontal não superior a 2 m;
2) Ter uma inclinação não superior a 12%, vencer um desnível não superior a 0,1 m e ter uma projeção horizontal não superior a 0,83 m.
2.5.3 - Se existirem rampas em curva, o raio de curvatura não deve ser inferior a 3 m, medido no perímetro interno da rampa, e a inclinação não deve ser superior a 8%.
2.5.4 - As rampas devem possuir uma largura não inferior a 1,2 m, exceto nas
seguintes situações:
1) Se as rampas tiverem uma projeção horizontal não superior a 5 m, podem ter uma largura não inferior a 0,9 m;
2) Se existirem duas rampas para o mesmo percurso, podem ter uma largura não inferior a 0,9 m.
2.5.5 - As rampas devem possuir plataformas horizontais de descanso: na base e no topo de cada lanço, quando tiverem uma projeção horizontal superior ao especificado para cada inclinação, e nos locais em que exista uma mudança de direção com um ângulo igual ou inferior a 90º.
2.5.6 - As plataformas horizontais de descanso devem ter uma largura não inferior à da rampa e ter um comprimento não inferior a 1,5 m.
2.5.7 - As rampas devem possuir corrimãos de ambos os lados, exceto nas seguintes situações: se vencerem um desnível não superior a 0,2 m podem não
ter corrimãos, ou se vencerem um desnível compreendido entre 0,2 m e 0,4 m e não tiverem uma inclinação superior a 6% podem ter apenas corrimãos de um
dos lados.
2.5.10 - O revestimento de piso das rampas, no seu início e fim, deve ter faixas com diferenciação de textura e cor contrastante relativamente ao pavimento adjacente".
 
Estas rampas do Turismo possuem uma inclinação exagerada, à exceção das da entrada, não possuem corrimão, nem plataformas horizontais de descanso ou piso com textura e cores contrastantes.

ULSAM








































A Unidade Local de Saúde do Alto Minho, edifício outrora conhecido por Hospital Conde de Bertiandos, sofreu remodelações, tanto no Hospital, como nas Urgências. Assim sendo, tiveram que ser seguidas as normas impostas pela legislação que rege a acessibilidade.
Todas as entradas possuem rampas, creio que com a inclinação desejada (de 5 a 8%), o pavimento possui diferentes texturas, os passeios estão rebaixados na entrada/saída, pese embora o pavimento do passeio junto à passadeira (fotografia 7) se encontre bastante danificado, dificultando ou, até mesmo, impossibilitando a acessibilidade.
O que a lei prevê para as passagens de peões de superfície (Secção 1.6.2 do Anexo do Decreto-Lei nº 163/2006) é que "O pavimento do passeio na zona imediatamente adjacente à passagem de peões deve ser rampeado, com uma inclinação não superior a 8% na direção da passagem de peões e não superior a 10% na direção do lancil do passeio ou caminho de peões, quando este tiver uma orientação diversa da passagem de peões, de forma a estabelecer uma concordância entre o nível do pavimento do passeio e o nível do pavimento da faixa de rodagem". Este rampeamento foi feito junto à passadeira do Hospital, mas também em (quase?) todas as passadeiras da Vila de Ponte de Lima.
A primeira fotografia ilustra o que é uma cabine telefónica totalmente desfasada da realidade que é, ou pelo menos deve ser, a acessibilidade, ao contrário da sexta fotografia, na qual podemos observar contentores do lixo acessíveis a todos.